quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Andy Warhol, Mr. America em BH


Exposição Andy Warhol, Mr. America
Abertura: 12 de fevereiro de 2011, sábado, a partir das 20 horas. Em cartaz até o dia 12 de março de 2011.
Palácio das Artes
Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro
Telefone: (31) 3236-7400
De Terça a Domingo das 10h às 18h, com permanência até as 18h 30.
Ingressos: R$ 5,00 (R$ 2,50 meia entrada)
Entrada gratuita aos sábados

A mostra


Andy Warhol, Mr. America é uma exposição organizada pelo escritor e curador Philip Larratt-Smith, com a colaboração do The Andy Warhol Museum, (Pittsburgh, EUA). A exposição já passou por Bogotá (Colômbia) e também Buenos Aires (Argentina). A cidade de São Paulo também pôde conferir as obras do artista entre março e maio de 2009. E agora chegou a vez de Belo Horizonte mergulhar no fascinante mundo pop.

A mostra apresenta 170 obras do artista, entre 26 pinturas, 58 gravuras, 39 trabalhos fotgráficos, duas instalações e 44 filmes, que exploram temas políticos e culturais dos norte-americanos. Mr. America engloba os trabalhos realizados entre os anos de 1961 e 1968, considerados o ápice criativo de Andy Warhol, que nesse período passou da pintura para a serigrafia, depois para a fotografia, instalação, produção cinematográfica e gerenciamento de uma banda de rock.

Entre os destaques da exposição estão a série de retratos de Jackie Kennedy (1964), e de Marilyn Monroe (1967), as Sopas Campbell (1968), entre outros. A exposição também apresenta pinturas da série Death and Disaster, que mostram a violência nos Estados Unidos durante os anos 60.

Durante a exposição, também será exibido diariamente um ciclo de filmes produzidos por Warhol entre 1967 e 1971. Entre os mais conhecidos, estão Chelsea Girl, exibidos em duas projeções simultâneas, com quatro horas de duração, Empire, de 1971, filmado dentro do Empire State, mostrando ao telespectador os acontecimentos de um dia comum, além do polêmico Blow Job, de 1963. Os filmes ampliam e aprofundam os temas apresentados nas pinturas de Warhol: sexo, morte, beleza, narcisismo, alienação e poder. Cada um dos filmes mostra, direta ou indiretamente, as mudanças na vida social e cultural americana na década de 60, a ascensão da cultura popular, da televisão e da propaganda.

A mostra acompanha um catálogo bilíngüe, português e inglês, com reprodução das obras exibidas e textos do curador da mostra, Philip Larratt-Smith, de Thomas Sokolowski, Diretor do The Andy Warhol Museum, Paulo Herkenhoff e José Augusto Ribeiro, entre outros críticos de arte, e entrevistas com John Baldessari e Jenny Holzer, artistas norte-americanos, Guillermo Kuitca, artista argentino, e Iran do Espírito Santo, artista brasileiro.

The Factory


Andy Warhol precisava de um estúdio. E seu assistente pessoal Billy Linich ficou encarregado de encontrar o local. Depois de muita procura, Linich encontrou, num galpão com 496 metros quadrados, localizado no quarto andar do número 231 na rua 47 Leste, em Manhattan, exatamente o que o artista procurava.

O galpão recebeu uma decoração inusitada. As paredes, o chão, o vaso sanitário, maçanetas, janelas, tudo foi coberto por papel laminado e tinta prata. Para a decoração, foram usados somente objetos encontrados no lixo de Nova York, entre eles o famoso sofá do escritório de Warhol. Depois de tudo pronto, só faltava o batismo. Surgia, então, The Factory (“Fábrica”).

Dentro da Factory, o clima era de mistério e glamour. A vida ali completa euforia e badalação. Os artistas da época perceberam a agitação logo de cara. A moda - ou para fazer parte dela, era ser amigo de Andy Warhol. Assim, ele acumulou uma legião de seguidores.

Em 1965, Andy Warhol se declarou um pintor aposentado, e resolveu dar vazão a uma de suas paixões: fazer filmes. Para isso, instigava as celebridades que freqüentavam a Factory a se comportarem de forma ousada, pois assim qualquer movimento podia gerar um grande vídeo. A Factory passou a ser então uma espécie de laboratório, um lugar de criação e de encontros sociais. É nessa época, por exemplo, que Warhol iniciou a gravação dos famosos “Screen Tests”.

Duas ocasiões marcaram o local: A primeira foi em abril de 1964, logo após o vernissage da segunda exposição de Warhol. O estúdio foi transformado em um supermercado, e todas as suas imitações de sopas Campbell’s, sabão em pó, sucrilhos, foram espalhadas no chão, e os convidados foram servidos com hot dog e cerveja. Na segunda, em abril de 1965, Warhol emprestou a Factory para ser realizada “A Festa das Cinqüenta Pessoas Mais Bonitas do Mundo”. A celebração juntou personalidades do rock, da moda e muita droga. Na vitrola, Motown e Stones. Foi considerada a melhor festa dos anos 60.

Em julho de 19698, Andy Warhol sofreu um atentado na Factory. A feminista Valerie Solanas invadiu o local e lhe deu tiros a queima roupa. Depois da cirurgia, o artista decidiu por desativar A Factory.

A Pop Art


A Pop Art é um movimento artístico que teve início no final dos anos 50 na Inglaterra. É influenciada pela cultura de massa, tendo os produtos da cultura hegemônica como pano de fundo para a criação das obra de arte. A Pop Art faz uso de três regras: o uso do dia a dia como matéria-prima, a referência a imagens produzidas em larga escala pela indústria cultural e a incorporação da palavra ao repertório das artes plásticas

O termo “Pop Art” foi inventado pelo crítico britânico Lawrence Alloway, do Independent Group, formado por jovens artistas que acreditavam que a arte moderna estava muito fechada e não era compreendida por toda a sociedade. Como alternativa, criaram uma nova tendência que buscava uma linguagem transparente, clara e direta, incorporando elementos conhecidos pelo grande público (imagens publicitárias, fotos de artistas de cinema, ídolos, personagens de histórias em quadrinhos).

O êxito da Pop Art pode ser entendido a partir do contexto social da época. No final da segunda grande guerra, a Europa entrou em grande crise econômica, que se estendeu para a Inglaterra, onde perdurou até meados doa anos 50. Porém, nos Estados Unidos, a situação era outra. Os americanos desfrutavam de um grande período de prosperidade, e isso foi noticiado dentro e fora do país. O “american drem” mostrava diariamente ao mundo uma realidade de abundância e plena felicidade. As séries de TV americana mostravam um futuro moderno e uma sociedade em pleno desenvolvimento. No imaginário do mundo, a América havia encontrado o modelo de sociedade ideal.

Com isso, alguns artistas ingleses como Richard Hamilton, Eduardo Paolozzi e David Hockney se apropriaram dos produtos que a sociedade americana vendia, como fotos e cartazes, e passaram a fazer colagens, abusando no uso das cores, e indo contra todas as perspectivas acadêmicas da época.

A Pop Art saiu da Inglaterra e foi para os Estados Unidos, onde para muitos críticos, o movimento foi mais emblemático e agressivo. Na América, a Pop Art buscou referências não só na indústria cultural, como também na produção industrial em série. Os artistas usavam a serigrafia para reproduzir as peças, como uma forma de criticar o processo de massificação e o consumo desenfreado.

Os principais artistas norte americanos foram Andy Warhol e Roy Lichtenstein.
O sentido e os símbolos da Arte Pop pretendiam ser universais, numa tentativa de eliminar o fosso entre arte erudita e arte popular. Não só a cultura popular se torna tema de arte, mas também a arte passa a integrar a cultura popular. Foi através da Pop Art que os filmes e as fotografias passaram a ser exibidos em museus e exposições.

Andy Warhol - 1961-1987


Os anos 60 para Andy Warhol marcam uma guinada na sua carreira de artista plástico, que passa a utilizar conceitos de publicidade em suas obras.

Em 1961 realizou a sua primeira obra em série usando as latas de sopa Campbell's como tema, continuando com as garrafas de Coca-Cola e as notas de Dólar, reproduzindo continuamente as suas obras e usando métodos de produção em massa. Estas obras foram expostas primeiro em Los Angeles, na Ferus Gallery, e depois em Nova Iorque, na Stable Gallery. Nessa época, Warhol inaugura seu estúdio - a Factory.

Andy Warhol passou então a usar pessoas universalmente conhecidas como fontes do seu trabalho. De Jacqueline Kennedy a Marilyn Monroe, passando por Mao Tse-tung, Che Guevara ou Elvis Presley, todas as obras foram um enorme sucesso, Logo após ele lançou a série Death and Disaster, que consistia em reproduções monocromáticas de desastres de automóvel brutais, bem como a imagem de uma cadeira eléctrica.

Em 1963 começou a filmar, realizando filmes experimentais, propositadamente muito simples e bastante aborrecidos, como Sleep (que se resumia à filmagem durante oito horas seguidas de um homem dormindo) ou Empire, que filmou o Empire State do nascer ao pôr do sol. Mas os filmes foram tornando-se mais sofisticados, com a inclusão de som e argumento. O filme Chelsea Girls, de 1966, que mostra duas fitas lado a lado documentando a vida na Factory, foi o primeiro filme underground a ser apresentado numa sala de cinema comercial.

Warhol também foi produtor do grupo Velvet Underground. A banda e seu produtor também trabalharam juntos no espectáculo Exploding Plastic Inevitable, que utilizava a música do grupo e os filmes do artista.

Em junho de 1968, Valerie Solanas, uma frequentadora da Factory, criadora solitária da SCUM (Society for Cutting Up Men), entrou no estúdio de Warhol e lhe acertou tiros à queima-roupa. O pintor demorou mais de dois meses para se recuperar. Quando saiu do hospital, tinha perdido muita da sua popularidade e prestígio. Dedicou-se então a criar a revista Interview, e a apoiar jovens artistas em início de carreira. Escreveu alguns livros, como sua autobiografia The Philosophy of Andy Warhol (From A to B and Back Again), publicada em 1975, e apresentar dois programas em canais de televisão a cabo. A sua pintura voltou-se para o abstracionismo e o expressionismo.

Em 1987 foi operado da vesícula. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte, deixando para o mundo um legado artístico de muito significado.

Andy Warhol - 1928-1960


Andrew Warhola nasceu no dia 06 de agosto de 1928, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Caçula de três irmãos, seus pais eram imigrantes da classe operária da Eslováquia. O pai, Andrei, veio para os Estados Unidos para evitar ser recrutado pelo exército austro-húngaro, no fim da Primeira Guerra Mundial. Em 1921 a mulher, Julia, juntou-se-lhe, tendo a família ido viver para Pittsburgh. A família era católica bizantina e frequentava a Igreja Bizantina de São João Crisóstomo em Pittsburgh.

Ainda na infância, Warhol teve coreia, uma doença do sistema nervoso que provoca movimentos involuntários das extremidades, e causa manchas de pigmentação na pele. Ele tornou-se um hipocondríaco e por isso uma criança muito tímida. Para passar o tempo em casa, desenhava, ouvia rádio e colecionava imagens de estrelas de cinema ao redor de sua cama. Esse período foi muito importante no desenvolvimento da sua personalidade.

Estudou no liceu de Schenley onde frequentou as aulas de arte, assim como as aulas do Museu Carnegie. No fim da 2.ª Guerra Mundial, foi obrigado a abandonar o Instituto no fim do primeiro ano, para dar lugar aos soldados americanos desmobilizados. Alguns dos seus professores defenderam a sua permanência na instituição, e por isso Warhola passou a frequentar o Curso de Verão. Os seus trabalhos nesse curso lhe renderam prêmios do Instituto, além da exposição dos seus trabalhos. Terminou a licenciatura com uma menção honrosa em desenho, indo viver para Nova Iorque em Junho de 1949, à procura de emprego como artista comercial.

Mudou-se para Nova York e foi contratado pela revista Glamour, onde começou a desenhar sapatos. Passou a desenhar anúncios para revistas como Vogue e a Harper's Bazaar, assim como capas de livros e cartões de agradecimento. Começou uma carreira de sucesso como artista gráfico ganhando diversos prêmios como diretor de arte do Art Director's Club e do The American Institute of Graphic Arts.

Em 1952, realizou sua primeira exposição na Hugo Gallery: “15 Desenhos baseados nos escritos de Truman Capote”. A exposição foi um sucesso não só comercial como artística, que lhe permitiu viajar pela Europa e Ásia em 1956. Esta série de trabalhos é mostrada em diversos lugares durante os anos 50, incluindo o Museu de Arte Moderna. A partir daí, resolveu adotar um novo visual: Começou a usar perucas brancas por cima dos cabelos negros e tirou o “a” de seu sobrenome. A partir daí, surge o artista Andy Warhol.