terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Amor que fica
Duca estava irredutível. Depois de meses enclausurado por conta de uma desilusão amorosa e um saldo bancário negativo graças aos vidros de uísque vazios pelos cantos da casa, ele queria fazer alguém feliz de novo. Mas não era pra daqui um mês. Era pra ontem, pra já!
Tomou banho, vestiu seu melhor terno e foi pra zona da cidade. Seu novo amor e mãe dos futuros filhos sairia dali e hoje. Percorreu os três andares da casa e vasculhou todos os quartos munido apenas de três perguntas:
"Qual a sua graça?"
"É comprometida lá fora?"
"Tá procurando um amor?"
Portas e portas na cara depois, deu de cara com uma mulher de calcinha - e apenas calcinha - dentro de um quarto roxo. Morena, corpo esguio, tatuagem na coxa e nas costas. Cabelo anelado. Pinta no rosto. Batata!
- Qual a sua graça?
- Como é? - perguntou a mulher erguendo sorrateiramente a cabeça. Meu filho, aqui não é lugar dessas perguntas. São 25 reais, 15 minutos...
- A senhorita não entendeu. Eu quero saber o seu nome, mesmo.
- ...
- Por favor. É importante.
- Cínthia.
- Cínthia, você é comprometida lá fora?
A morena se exaltou:- Escuta aqui, deixa de graça ou chamo alguém pra te dar um cacete!
- Não vamos fazer furdúncio! Eu tenho três perguntas, já fiz uma. Faltam duas. Dependendo das respostas, nem entro no teu quarto.
- Dai-me paciência... Não sou. Acha mesmo que eu seria levando essa vida?
- A última. Tá procurando um amor?
- O quê?
- Vou ser direto. Se estiver caçando um amor, pronto. Aqui estou. Levanta e vamos embora!
- É louco? Doido varrido? Moço, deixa eu te dizer... Amor não se faz, moço. Você não vai conseguir nada agindo assim. Eu li num livro esses dias.
- Posso tentar?- 25 reais, 15 minutos...
Entrou sem dizer nada e o que se ouviu nos 15 minutos seguintes matou de inveja todas as mulheres do recinto. Abriu a porta. Ajeitou o paletó no corpo, pertou o nó da gravata. Seguiu em frente.
- Ei, moço! Você volta amanhã?
Sem mover a cabeça tampouco diminuir a velocidade do passo, gritou:
- O que aconteceu com sua conversa letrada de que amor não se caça?
Ela sorriu como criança.
Casaram-se três meses depois. São muito mais felizes do que muita gente que esperou o amor acontecer.
E a primeira filha herdou os cabelos, a pinta no rosto e o nome da mãe: Daiane.
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