terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Sophia
Luiza é estagiária da Emater. Trabalha no setor de Recursos Humanos e cursa design gráfico. Pois é, não me perguntem por quê.
Luiza tem os olhos castanhos e o corpo bem esguio. Pele branquinha, cabelos também castanhos cortados mais ou menos na altura dos ombros, cheio de ondas que ela adora jogar pra lá e pra cá. Não tem nenhuma tatuagem à mostra e usa um All Star xadrez. E tem os óculos, também. Óculos elegantes e de armações grossas e negras.
Luiza fuma Marlboro e tem o nariz todo vermelhinho. E tem dois piercings, um em cada lado do nariz. Não tem nenhum anel em nenhum dos dedos da mão e, pelo que me lembro, não usa nenhum esmalte também. Não tem muito peito, mas o que tem combina perfeitamente com a sua silhueta. A boca é bem rosada e não precisa de nenhum batom pra ser assim. É rosada, simplesmente. Rosada e pequena, com os lábios afinados na ponta, engrossando progressivamente num beicinho bonito por demais.
Luiza parece ser desligada todo o tempo. Consegue manter os olhos atentos àquilo que devem estar e, ao mesmo tempo, parece que ela não está ali. É intrigantemente distante o seu olhar. Para onde estão olhando? Para ali? Não... Talvez pra lá. Nunca se sabe. Mistério.
Luiza não dá bola pra ninguém. Pra ninguém. Nada de olhares, nada de sorrisinhos. Nada de nada.
Luiza é estabanada. Tropeça em tudo que está imóvel.
Luiza tem a voz doce e sutilmente grave. Conversa sem nenhuma timidez, mas também não é de conversar muito. Agradece sempre que precisa agradecer. E, junto com o “obrigado!”, abre um sorriso iluminador. Ah, sim! E sempre abre a porta. Sempre. Por isso, é sempre a última a entrar num ambiente.
Luiza tem uma pinta. Uma pinta preta. Uma pinta preta localizada bem ali, um pouco abaixo da bochecha esquerda.
Luiza tem uma pinta!
Ah! Luiza, Luiza...
Meu coração gelado só queria te agradecer.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário