terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Deu "ocupado" de novo
Ontem foi dia de Celisa ir na Comunidade Reviver. E desde que o mundo é mundo ela leva um papelzinho meu repleto de coisas que quero falar com Deus. E desde que meu mundo mudou fui lá e coloquei de novo o seu nome.
Logo após tê-lo escrito, bateu arrependimento mórbido. Tanta coisa acontecendo em minha volta, tantos destinos prestes a uma irreversível mudança e eu ali, escrevendo pela 830º o seu nome no papelzinho pra falar com Deus. Então eu o rabisquei. Com bastante força.
Mas o resto da da frase já estava escrito. O que eu ia colocar no lugar? Qual nome eu poderia colocar no lugar do seu pra que aquela frase fizesse sentido? Não tem a porra de um nome pra eu colocar no lugar do seu.
E se Deus conseguir enxergar por trás de um rabisco? "Não adianta me enganar, Rafael. Eu sei tudo o que passa com você. Eu sou o seu Pai. Que Pai não sabe o que acontece com seu próprio filho? Escreve esse nome de novo. Sem culpa, dessa vez."
E eu reescrevi o seu nome. De novo. Logo atrás do rabisco de caneta. No lugar do arrependimento (curioso como seu nome sempre vem acompanhado desse sentimento), eu coloquei saudade. Porque essa foi, talvez, a última vez que Celisa levou meu papelzinho pra falar com Deus pra Reviver. Meu último papelzinho pra falar com Deus. Minha última ficha de telefone público. Precisava ter muito mais que arrependimento.
Daqui uns dias eu vou ter que aprender a falar com Deus sozinho. Sem cartas, sem artifícios de linguagem.
Deus vai ficar na minha lista de contatos. Bem ali, pertinho do seu nome, separados por poucos "Bês" e "Cês".
Espero que, pra ele, eu tenha coragem de ligar.
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