terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Sobre falta e ausência
acabei de saber por Whatsapp que você está com meus amigos. os mesmos amigos que me chamaram na parte da tarde para estar exatamente no lugar em que você está. com eles. e eu claro não fui. geralmente eu nunca vou. hoje eu não fui por causa da chuva e - veja só que ironia - por sua causa. ontem eu lembrei muito de você porque resolvi comprar uma extensão para jogar Nintendo 64 com meu primo. a gente ia jogar Pokémon Stadium. na verdade tem mais um motivo mas não posso dizer porque envolve um amigo meu e eu não pedi a permissão dele pra contar. e eu não consegui jogar Pokémon Stadium. eu só queria dormir. ou dormir ou esperar uma mensagem que dissesse "oi lembrei de você hoje. só queria te lembrar que eu sou seu presente. boa noite." eu até esperei a mensagem mas ela não chegou. na verdade ela nunca chegou. então eu acordei oco por dentro e passei o dia inteiro sem sentir absolutamente nada. participei de uma reunião importante no serviço e - acredite! - eu falei feito pinto no lixo. eu falando igual pinto no lixo. é claro que eu estava oco por dentro. oco de medo oco de insegurança oco de timidez. e então eu falei. falei porque eu queria falar. eu precisava falar. na verdade eu queria falar outras coisas mas essa foi a única oportunidade do dia em que eu fui convidado a falar. e sabe o que significou eu falar hoje? "ei, eu existo!". o Wagner sempre me fala que quando a gente fala a gente passa a existir e define nosso lugar. e eu consegui definir o meu lugar. minha chefe olhou pra mim várias vezes então eu acho que consegui. pelo menos pra ela que me olhou várias vezes eu existi hoje. e depois da reunião os meninos disseram "vamos lá com a gente, vai ser legal!". e eu não fui. não fui por causa da chuva e por causa de você. porque eu estava sentindo a sua falta e eu não poderia ser uma boa companhia pra ninguém. eu estava oco. só que agora eu estou em casa e recebi um Whatsapp dizendo que você está no lugar onde eu deveria estar. e eu enfrentaria qualquer vendaval pra ir aí te ver. mas eu sei que não seria a mesma coisa. uma coisa é eu ir com os meninos pra beber cerveja e rir e de repente você chegar na porta do bar e aí sim eu começar a chorar. outra coisa é já chegar chorando. eu tentei enfrentar a chuva nos últimos dias sabe. eu não estava nem aí pra ela. só que hoje eu voltei a ter medo dela. meu cabelo ia encharcar todo eu ia virar uma samambaia. mas talvez você me convidasse pra ir até a sua casa pra enxugar meu cabelo e emprestar um guarda-chuva. ou talvez a gente fosse até um ponto de ônibus e nos encharcássemos juntos de água. ou talvez você me dissesse de novo que eu até fico bonito de cabelo molhado e em forma de samambaia. você me elogiava. tem tempo que eu não sei o que é isso. tem tempo que eu não sei o que é muita coisa. tem tempo que eu não sei quem é você. e talvez hoje não fosse o dia de relembrar. ainda não.
as coisas são como são.
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